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Destaques Mercadológicos

Volume total de crédito do sistema financeiro em 2014 foi equivalente a 58,9% do PIB nacional, um aumento de 11,3% em relação ao ano anterior

Cenário econômico

Em 2014, por margem mínima, a economia nacional conseguiu manter um ritmo de crescimento positivo – expansão de 0,1% –, o que evitou que o País cruzasse a fronteira da recessão.

A forte desaceleração, ante os 2,3% de crescimento registrado no ano anterior, foi decorrente de fatores como a queda no volume de investimentos, que ficou em 4,4% negativos, o que significa retração de dez pontos percentuais em relação a 2013. A indústria, que recuou 1,2% no ano – no período anterior havia registrado alta de 1,1% –, também impactou o resultado econômico.

Mesmo em um cenário mais restrito, o consumo das famílias em 2014 teve pequena expansão de 0,9% e o setor de serviços cresceu 0,7% no período. Foi a menor expansão desses indicadores em mais de uma década.

19,6%
foi o crescimento
do crédito
direcionado em 2014

Também a economia mundial manteve esse processo de crescimento gradual, porém desigual, ainda como reflexo dos efeitos da crise financeira iniciada em 2008. Os Estados Unidos destacam-se pela manutenção consistente da sua economia, que em 2014 expandiu 2,4%, ligeiramente mais do que em 2013, quando o crescimento foi de 2,2%.

O PIB chinês, por sua vez, registrou alta de 7,4% no ano. O resultado, que mantém a tendência de desaceleração da economia chinesa dos últimos anos, ficou abaixo da previsão do governo, de 7,5%, e foi o pior desde 1990, quando a alta foi de 3,8%.

O volume de investimentos em infraestrutura nacional ficou em R$ 460 bilhões, com foco em infraestrutura econômica (energia, transportes e telecomunicações) e desenvolvimento urbano (habitação, mobilidade urbana e saneamento). O montante representa 9,1% do PIB do Brasil e responde por 52,5% da formação bruta de capital do País.

A inflação fechou o ano em 6,41%, abaixo do teto da meta de 6,5% estabelecida pelo governo. Em 2013, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) ficou em 5,91%. A alta de 2014 foi a maior desde 2011 e teve como principais fatores o aumento no custo de serviços e alimentos.

Como instrumento para conter a inflação, o Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) para 11,75% ao ano, a maior em três anos. Em 2013 a Selic ficou em 10% ao ano, e em 2012, foi de 7,25% ao ano.

O índice de inadimplência geral do Sistema Financeiro Nacional manteve o ritmo de queda e ficou em 2,70% ante os 2,80% verificados em 2013. A redução se deve ao fortalecimento nos processos de análise de crédito por parte dos bancos, configurando carteiras de crédito com mais qualidade e seguras.

Já a balança comercial fechou 2014 com déficit de US$ 3,93 bilhões, com US$ 225,1 bilhões em exportações e US$ 229 bilhões em importações. O resultado é o primeiro negativo desde 2000, quando as importações superaram as exportações em US$ 731,7 milhões. Em 2013, o resultado foi um superávit de US$ 2,59 bilhões.

Entre os fatores que influenciaram no desempenho da balança comercial estão a forte queda no preço das commodities, especialmente do minério de ferro, e a retração da economia em alguns países de grande peso para os produtos brasileiros, como a Argentina.

Ambiente de crédito

O volume total de crédito do sistema financeiro atingiu R$ 3,02 trilhões em 2014, equivalente a 58,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. O valor representa alta de 11,3% em relação ao ano anterior. Mesmo com o crescimento, a taxa de expansão teve o menor ritmo desde 2007. Em 2013, foi de 14,7%.

Do total disponibilizado em 2014, o valor de R$ 1,61 trilhão é da carteira de crédito de pessoas jurídicas (empresas), enquanto o volume das operações com pessoas físicas somou R$ 1,41 trilhão.

Em 2014, houve aumento de 19,6% no crédito direcionado, que totalizou R$ 1,44 trilhão, com destaque para os financiamentos imobiliários e rurais. O crédito para pessoas físicas cresceu 24,1%, somando R$ 628 bilhões, favorecido pela evolução dos financiamentos imobiliários e pelo crédito rural. O crédito para empresas foi de R$ 815 bilhões, alta de 16,3%.

Destacaram-se novamente no ano os financiamentos imobiliários, que somaram R$ 502 bilhões, representando 9,8% do PIB, ante 8,2% em 2013. O crédito para o setor público somou R$ 196 bilhões, após expansão de 30,5% no ano, destacando-se os financiamentos destinados a investimentos de estados e municípios.

Consideradas apenas as operações com recursos livres, o volume do ano com pessoas físicas ficou em R$ 768 bilhões, enquanto as operações com pessoas jurídicas somaram R$ 793 bilhões. O total de R$ 1,58 trilhão representou alta de 4,7% no acumulado de 2014, ante o ano anterior.

Cartões de crédito

Em 2014, o montante de transações realizadas com cartões de crédito somou R$ 963 bilhões. O valor representa elevação de 15,1% na comparação com o valor de 2013, que foi de R$ 853 bilhões.

O número de transações no ano chegou a 10,2 bilhões, crescimento de 11,6% em relação ao período anterior. Foram R$ 610,2 bilhões em operações de crédito e R$ 353,3 bilhões em transações de débito, sendo que a alta em comparação com 2013 foi de 13,6% para os valores de crédito e de 17,8% para os de débito.

Financiamento de veículos

Em 2014, o financiamento de veículos totalizou R$ 212,7 bilhões, valor 7% abaixo do registrado no ano anterior. A queda reflete do cenário econômico e da menor oferta de crédito no mercado para aquisição de veículos. Entre as modalidades de crédito, as das carteiras de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) tiveram retração de 4,7%, com um saldo de R$ 204,4 bilhões no fim de 2014. O leasing manteve o movimento de queda verificado nos últimos anos e somou R$ 8,3 bilhões, 40,8% abaixo do período anterior.

De acordo com a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF), entre os automóveis e comerciais leves licenciados em 2014, foram financiados 53%, adquiridos 7% via consórcio e 2% por arrendamento em leasing, e 38% foram comprados à vista.

Inadimplência

A inadimplência das operações de crédito do sistema financeiro, considerando os atrasos superiores a 90 dias, ficou em 2,7%, ante os 2,8% registrados em 2013. O índice de 2014 é o menor da série histórica, que foi iniciada em março de 2011.

No crédito às famílias e às empresas, o indicador alcançou 3,7% e 1,9%, respectivamente. Nos segmentos livre e direcionado, a inadimplência situou-se em 4,3% e 1,0%, respectivamente.

Juros e spreads

No ano, a taxa média de juros das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional, considerando as contratações de recursos livres e direcionados, ficou em 23,7% ao ano, ante 22,4% ao ano em 2013. Reflexo da alta da taxa Selic, o resultado refletiu no custo médio do crédito livre, que chegou a 37,3% ao ano, com variação de 3,9 pontos percentuais. Já no crédito direcionado, a taxa média alcançou 7,8%, aumento de 0,3 ponto percentual em 12 meses.

Para pessoas físicas, a taxa média ficou em 30,7% ao ano e para os empréstimos às empresas, a taxa média de juros situou-se em 16,5% ao ano, aumento de 0,8 ponto percentual em relação ao exercício anterior.

O spread bancário referente às operações com recursos livres e direcionados aumentou 1,1 ponto percentual em 12 meses, alcançando 14,9%, em dezembro. Os indicadores relativos aos segmentos de pessoas físicas e jurídicas ficaram em 21,5% e 8%, respectivamente.

Portabilidade eletrônica de crédito

A portabilidade de crédito não é uma novidade no sistema financeiro no Brasil. A mudança ocorrida a partir de maio de 2014 foi a utilização do meio eletrônico para esse fim, sem que sejam necessárias a negociação e a transferência de documentos no ambiente físico.

A plataforma tecnológica para operar a portabilidade eletronicamente é produto da parceria entre a FEBRABAN e a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP).

Desde maio de 2014 até janeiro de 2015 foram feitos mais de 800 mil pedidos de portabilidade das dívidas de financiamento de veículos, empréstimo consignado e créditos pessoal e imobiliário. Com o sistema eletrônico, cada contrato recebe um número de cadastro, no qual estão reunidas as informações sobre saldo devedor, taxas e tarifas, bem como as garantias.

Esse processo permite ainda que o banco originário tenha dois dias úteis para fazer uma contraproposta, retendo o cliente que, mesmo tendo solicitado o cadastro para a portabilidade, pode aceitar o acordo e não concretizar a mudança de instituição credora.

Endividamento das famílias

Evolução do endividamento (%)
Evolução do endividamento (%)
Fonte: FEBRABAN.

As taxas de inadimplência das operações de pessoa física recuaram em todas as faixas de renda em 2014, bem como o nível de comprometimento da renda dos devedores com o serviço da dívida. O nível de endividamento geral da economia, medido pelo Banco Central e que relaciona o estoque de crédito com a massa salarial, atingiu 46%, com aumento de 1 p.p. no ano. Já o nível de comprometimento da renda mensal da população com o pagamento do serviço da dívida ficou estável no ano, em 21,7%, mas recuou ante o pico de 22,3% em junho de 2014 em todas as faixas de renda.


Cadastro Positivo

O mercado nacional
é um dos mais
avançados na manutenção de garantias de
redução de riscos

O Cadastro Positivo é uma ferramenta criada pela Lei nº 12.414/11, que entrou em funcionamento em agosto de 2013. Também chamado Novo Cadastro, reúne o histórico de créditos dos clientes bancários e tem como objetivo configurar um diferencial nas negociações de contratação de crédito.

Desde antes de sua implantação, a FEBRABAN tem atuado na consolidação de tecnologias e alinhamentos entre os bancos e as instituições parceiras, especialmente com a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) na construção de plataforma unificada, que centraliza todas as informações do Cadastro Positivo. No total, foram dedicados cerca de 10 mil horas/homem de trabalho de tecnologia e informação por parte dos bancos e 2,5 mil horas/homem por parte da CIP.

Por meio dessa plataforma integrada, a CIP consolida os dados do Sistema de Informação de Crédito (SCR) do Bacen, que reúne registros contábeis sobre as operações de crédito realizadas por instituições financeiras a pessoas físicas e jurídicas, e as informações dos dois gestores de dados de informações negativas (atrasos e inadimplência): a Serasa e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

Para ser incluído no Cadastro Positivo, a solicitação deve ser feita diretamente pelo cliente bancário. Em 2013, o sistema integrava dados de 80 bancos. No fim de 2014, esse número subiu para 153.

A Federação também colaborou na elaboração de um padrão mínimo de segurança dessas informações com as demais instituições participantes e na consolidação de um modelo de governança para o sistema.

Redução de riscos sistêmicos

GRI 1.2

A cada ano o sistema financeiro brasileiro aperfeiçoa suas ferramentas e seus mecanismos legais para garantir que os riscos sistêmicos possam ser identificados e reduzidos.

Considerado um dos mercados mais avançados do mundo nesse aspecto, o Brasil se destaca pela consolidação de um modelo de governança entre o poder público e o privado no setor que promove processos e serviços integrados de alto desempenho, tanto na avaliação dos riscos do mercado quanto na proposição de soluções que reduzam a exposição e os custos operacionais dessas operações.

No âmbito da FEBRABAN e de seus parceiros institucionais destacam-se a Central de Exposição a Derivados (CED), a Câmara de Cessão de Crédito – C3 e o Sistema de Controle de Garantias (SCG), que, integrados à Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), garantem que os modelos de pagamentos, transferências e garantias componham uma gestão de riscos eficiente e dinâmica. Saiba mais sobre o funcionamento e os destaques de 2014 de cada uma dessas iniciativas nas páginas a seguir deste relatório.

Câmara de Cessão de Crédito – C3

A Câmara de Cessão de Crédito – C3 é um sistema operado pela CIP e fiscalizado pelo Banco Central, no qual são registradas parcelas de operações de crédito para efeito de cessões interbancárias.

O sistema visa centralizar as informações de operações de cessões de crédito efetuadas no âmbito do Sistema Financeiro Nacional, garantindo aos participantes a verificação de que créditos em processo de cessão não tenham sido cedidos à outra instituição, evitando a duplicidade. Atualmente, todas as cessões de crédito entre bancos ocorrem no C3.

Em 2014, o número de participantes da Câmara se manteve estável, com 76 instituições financeiras e 60 Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), e teve a inclusão do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que possibilitará às instituições financeiras, especialmente pequenos bancos, captarem recursos sem vender a carteira. É feito o bloqueio do valor correspondente no Fundo e, em caso de não cumprimento por parte do banco, o FGC realiza o pagamento e assume a carteira. Dessa forma, a C3 reforça sua importância na redução de riscos sistêmicos ao setor financeiro.

Volume de concessões
Período Número de cessões Número de contratos
2013 581 8.093.697
2014 507 8.063.662

Outra novidade foi a reestruturação dos relatórios de mercado, que passaram a permitir o acesso direto aos dados sem a necessidade de abertura de chamado e de intervenção manual. Os relatórios são gerados nos seguintes escopos:

  • Posição passiva e ativa
  • Reservas pendentes
  • Operações de liquidação antecipada e/ou recompras
  • Operações de troca de gestor de contratos
  • Lançamento diário
  • Consolidação da base C3
  • Vencimento diário
  • Quitação da cessão

Em relação aos volumes de cessão, não houve grandes alterações no período, o que, diante da conjuntura econômica, mostra a solidez da Câmara. Já o número dos contratos bloqueados para operações estruturadas aumentou significativamente, passando de 384.974, em 2013, para 653.953 em 2014.

Outro destaque foi a parceria firmada com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) para validação dos contratos de crédito consignado dos beneficiários, que passaram a ser confrontados com a base de dados da Dataprev, garantindo que todos os documentos submetidos ao processo de validação e monitoramento na C3 estejam consistentes e sem restrição.

Foi ainda aprimorado o processo para confirmação de cessão com ocorrências de monitoramento. Se for constatado algum apontamento de monitoramento de garantia de contrato após o casamento da reserva, ela não será cancelada automaticamente. Os participantes podem decidir entre cancelar a reserva ou seguir com a cessão e efetuar os ajustes nesses contratos posteriormente.

Idêntico processo de monitoramento foi montado também para validar as garantias dos contratos de financiamento de veículos e objetos de cessão com a Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos (Cetip).

A portabilidade eletrônica também foi um dos temas de atuação da C3, responsável por receber informações sobre os contratos portados na Central de Transferência de Crédito (CTC) e monitorá-los, inabilitando-os para negociação na Câmara caso apresentem irregularidades.

Além dos contratos de crédito consignado e de financiamento de veículo, os de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e Pessoal (CP) também passaram a ser registrados na Câmara para que haja cessão e bloqueio em operações estruturadas.


Sistema de Controle de Garantias (SCG)

O SCG tem como objetivo controlar a manutenção de domicilio bancário realizada pelos bancos para os respectivos clientes pessoas jurídicas, ou seja, os estabelecimentos comerciais. O sistema centraliza as informações de domicílio bancário dos lojistas a fim de informar para qual banco deve ser direcionado o fluxo financeiro proveniente de operações de cartões de crédito de titularidade de um determinado estabelecimento comercial. Dessa forma, permite o controle do direcionamento de fluxos de recebimentos futuros correspondentes às transações efetuadas com cartões de crédito no estabelecimento comercial e que foram dadas como garantias na obtenção de crédito, oferecendo aos bancos maior segurança em todo o processo.

Atualmente, o Brasil conta com oito operadoras de cartão credenciadas. Para poder realizar operações com todas elas, os bancos teriam de criar um sistema exclusivo para cada uma. Em meados de 2013, um projeto de integração entre operadoras de cartões de débito e crédito e os bancos começou a ser estruturado no sistema de autorregulação da FEBRABAN.

O Transporte de Dados de Agendas é um sistema no qual a CIP, no âmbito do SCG, integra as operadoras de sistemas de arranjos de pagamentos (credenciadoras) e os bancos em uma única interface. Em 2014, as etapas de elaboração do sistema, o fluxo e o cronograma do projeto foram concluídos e, posteriormente, apresentados ao Bacen.

Com esse projeto haverá padronização e racionalização de processos e interfaces entre sistemas, além da redução dos custos para todos os envolvidos, bancos e credenciadoras, gerando benefícios também para os clientes do sistema financeiro de modo geral, tanto os lojistas quantos os portadores de cartões de crédito.

Central de Exposição de Derivativos (CED)

A CED é uma empresa sem fins lucrativos, criada para garantir ao mercado financeiro transparência quanto às posições de derivativos contratados no Brasil.

Sob coordenação da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBOVESPA), do Balcão Organizado de Ativos e Derivativos (Cetip) e da FEBRABAN, em conjunto com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) e com apoio do Bacen e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a CED foi constituída como uma plataforma que reúne os dados sobre operações de derivativos no Brasil.

Esses dados integram relatório consolidando as exposições a derivativos do cliente de uma instituição financeira. Com a autorização do cliente, a instituição financeira pode consultar a posição total detida por ele, tendo como data-base o fechamento do dia anterior.

A CED é a única empresa com esse escopo de que se tem conhecimento no mundo. Com quatro anos de funcionamento, tem ajudado a ampliar o conhecimento e a promover a cultura do mercado de derivativos, ainda sem grande tradição no Brasil. Sua atuação permite reduzir o risco sistêmico relacionado ou decorrente de operações de grande volume de derivativos.

Nesse período, foram concluídas três fases do projeto. A primeira, entre 2010 e 2011, foi o lançamento da CED. Nessa fase, era fornecido relatório de exposição a derivativos de um único cliente para a entidade solicitante e foram desenvolvidos diversos mecanismos para garantir o sigilo das informações. Na segunda etapa, em 2012, como reflexo das demandas percebidas na fase anterior, foi lançada a Consulta em Lote, que permite que toda a relação de clientes com autorização concedida a um determinado banco gere relatórios de exposição a derivativos com a periodicidade requerida pelo banco (diária, semanal, quinzenal, etc.), o que impulsionou muito o uso dos serviços. Já na terceira fase, em 2014, as consultas ao relatório de exposição a derivativos, que até então eram apenas de clientes pessoas jurídicas, foi estendido para as pessoas físicas.

A expansão do uso dos relatórios de exposição a derivativos gerados pela CED é acompanhada de duas maneiras: pelo crescimento do número de autorizações concedidas aos bancos participantes do sistema e pelo próprio uso da ferramenta, por meio do volume de relatórios de exposição a derivativos emitidos pelos bancos participantes. Até dezembro de 2014 foram cerca de 4 mil autorizações cadastradas nos sistemas da CED, 450 mil relatórios de exposição a derivativos consultados (entre consultas a um único cliente e consultas por lote) para 14 bancos participantes do sistema, que respondiam por mais de 90% da exposição total do mercado bancário brasileiro.

Para 2015 está prevista a realização de análises e estudos técnicos para a implantação da quarta fase do projeto, que definirá um detalhamento maior ao relatório de exposição a derivativos emitido pela CED. O escopo dessa fase de desenvolvimento visa atender às constantes necessidades das instituições financeiras de reforçar seus critérios de análise de crédito, reduzindo ainda mais a possibilidade do risco sistêmico.

Melhoria no ambiente de crédito

Em 2014, algumas iniciativas foram destaques na melhoria do ambiente de crédito. Entre elas, as realizadas com a Comissão Executiva de Financiamentos de Veículos da FEBRABAN terão impacto imediato e positivo no mercado financeiro, como o projeto piloto desenvolvido com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que tem por objetivo a recuperação mais eficaz de veículos por meio de mandado de busca e apreensão já previamente expedido e sem participação do oficial de justiça. Trata-se da Lei nº 13.043/14 (MP 651), que gera benefícios como o ganho de eficiência na retomada de veículos, a redução de despesas com esse processo, maior segurança jurídica às instituições financeiras e a perspectiva de melhoria das condições de oferta de crédito ao consumidor. Antes dessa lei, o processo de retomada de veículos tinha de ser feito por protesto ou notificação por cartório. Agora, com a carta registrada com aviso de recebimento, o qual não precisa ser assinado pelo próprio destinatário, está configurada a notificação para retomada do bem. Além disso, era necessário que houvesse nova ação para a execução e, com a lei, a busca e a apreensão ocorrem sem a necessidade de nova ação e os débitos pendentes do veículo (impostos, multas, etc.) devem ser pagos pelo comprador, deixando de ser transferidos para o banco quando da recuperação do bem.

Captação de recursos

Em 2014, o total captado pelos bancos chegou a R$ 3,36 trilhões, o que representa elevação na comparação com os R$ 3,11 trilhões contabilizados no ano anterior. O aumento se deve principalmente ao crescimento das captações em fundos de investimentos e poupança, bem como a própria incorporação dos juros das aplicações no período.

Do total captado, R$ 1,98 trilhão foi resultado de fundos, o que representa uma alta de 13,9% em relação ao R$ 1,74 trilhão de 2013.

Os depósitos de poupança mantiveram sua boa performance e passaram de R$ 600 bilhões para R$ 663 bilhões. Já os depósitos à vista e os a prazo apresentaram queda no período. Os à vista caíram de R$ 180 bilhões para R$ 172 bilhões e os a prazo reduziram de R$ 588 bilhões para R$ 546 bilhões. Essa retração teve como causa a estratégia dos bancos em ampliar outras captações de prazo mais longo, como letras financeiras e letras de crédito.


Captação de recursos
Volume de captações (R$ bilhões) Total Depósitos à vista Depósitos de poupança Depósitos a prazo Fundos
2002 625 66 141 138 280
2003 763 67 144 144 408
2004 898 76 160 188 475
2005 1.067 87 169 252 559
2006 1.259 105 188 282 684
2007 1.476 149 235 298 794
2008 1.725 131 271 550 773
2009 1.958 144 320 563 930
2010 2.273 160 380 617 1.117
2011 2.616 154 421 715 1.326
2012 2.916 175 497 643 1.601
2013 3.102 180 600 588 1.735
2014 3.357 172 663 546 1.977


Fonte: Banco Central.

Resultados da intermediação financeira

No crédito, o repasse dos custos de captação para as taxas das operações e as menores despesas de provisões contra inadimplência em 2014, acompanhando o recuo da inadimplência durante o ano, contribuíram para a preservação das margens líquidas de crédito dos bancos e para o aumento do resultado da intermediação financeira. O resultado da intermediação líquido atingiu R$ 172,2 bilhões em 2014, aumento de 9,4% ante o ano de 2013.


Resultado da intermediação (valor líquido)
Fonte: Banco Central.
Últimos 12 meses findos em (R$ bilhões) Dez/13 Dez/14 Var. (%)
Resultado de intermediação líquido 157,3 172,2 9,4
Receitas de serviços 96,5 104,3 8,1
Despesas administrativas (173,6) (185,8) 7,0
Demais resultados operacionais (1,8) (14,7) 735,4
Resultado de participação societária 17,7 23,0 30,1
Lucro líquido 62,2 66,8 7,4
Patrimônio líquido 476,6 508,3 6,6


Em paralelo à estratégia adotada no crédito, os bancos brasileiros buscaram diversificar suas receitas de serviços, notadamente nos segmentos de cartões de crédito, no mercado de capitais e em seguros. Como efeito, as receitas de prestação de serviços cresceram 8,1% em 2014, atingindo R$ 104,3 bilhões e contribuindo para a melhoria do resultado final dos bancos.

Despesas administrativas

Controle de despesas e aumento da produtividade foram outros objetivos perseguidos pelos bancos em 2014. No ano, o valor com despesas administrativas e de pessoal somou R$ 185,8 bilhões, o que representa crescimento de 7% em relação aos R$ 173,6 bilhões de 2013, praticamente em linha com a inflação de 6,41% do IPCA.

Distribuição do valor adicionado GRI EC1
Fonte: FEBRABAN.
1. APURAÇÃO DO VALOR ADICIONADO dez/10 Part.% dez/11 Part.% dez/12 Part.% dez/13 Part.% dez/14 Part.%
                     
    1.1.1. Resultado bruto da interm. financeira 155.664 93,9 158.751 91,9 165.315 93,2 157.997 79,2 177.295 81,2
    1.1.2. Receitas de Prestação de Serviços 77.866 47,0 77.866 45,1 99.109 55,9 111.601 56,0 122.729 56,2
    1.1.3. Outras Receitas e Despesas -54.360 -32,8 -50.600 -29,3 -70.491 -39,8 -54.914 -27,5 -65.307 -29,9
    1.2. Valor Adicionado Bruto 179.171 108,1 186.018 107,7 193.934 109,4 214.685 107,7 234.717 107,5
    1.2.1 Depreciação e Amortização -15.005 -9,1 -15.104 -8,7 -18.665 -10,5 -17.956 -9,0 -20.068 -9,2
    1.2.2. Resultado da partic. Contr./Coligadas 1.591 1,0 1.806 1,0 2.047 1,2 2.653 1,3 3.706 1,7
VALOR ADICIONADO
LÍQUIDO A DISTRIBUIR
165.757 100,0 172.720 100,0 177.315 100,0 199.382 100,0 218.355 100,0
2. DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO dez/10 Part.% dez/11 Part.% dez/12 Part.% dez/13 Part.% dez/14 Part.%
                     
VALOR ADICIONADO LÍQUIDO A DISTRIBUIR 165.757 100,0 172.720 100,0 177.315 100,0 199.382 100,0 218.355 100,0
    2.1. Pessoal 60.606 36,6 69.082 40,0 76.544 43,2 83.985 42,1 91.064 41,7
       2.1.1. Proventos 42.545 25,7 48.494 28,1 53.733 30,3 58.957 29,6 63.926 29,3
       2.1.2. Benefícios 10.705 6,5 12.202 7,1 13.520 7,6 14.834 7,4 16.085 7,4
       2.1.3. FGTS 2.812 1,7 3.205 1,9 3.551 2,0 3.896 2,0 4.224 1,9
       2.1.4. Outros 4.545 2,7 5.181 3,0 5.740 3,2 6.298 3,2 6.829 3,1
    2.2. Impostos, Taxas e Contribuições 46.679 28,2 39.472 22,9 40.827 23,0 46.450 23,3 52.173 23,9
       2.2.1. Federal 42.562 25,7 35.991 20,8 37.227 21,0 42.354 21,2 47.572 21,8
       2.2.2. Estadual 102 0,1 86 0,0 89 0,1 102 0,1 114 0,1
       2.2.3. Municipal 4.015 2,4 3.395 2,0 3.511 2,0 3.995 2,0 4.487 2,1
    2.3. Remuneração de Capital de Terceiros 3.987 2,4 4.564 2,6 5.347 3,0 6.341 3,2 6.957 3,2
      2.3.1. Aluguéis e Outros 3.987 2,4 4.564 2,6 5.347 3,0 6.341 3,2 6.957 3,2
    2.4. Remuneração de Capital Próprio 54.485 32,9 59.602 34,5 54.597 30,8 62.605 31,4 68.161 31,2
       2.4.1. Juros Sobre Capital e Dividendos 16.751 10,1 18.323 10,6 16.785 9,5 19.247 9,7 20.955 9,6
       2.4.2. Participações dos Não
Controladores nos Lucros Retidos
1.431 0,9 1.565 0,9 1.433 0,8 1.644 0,8 1.790 0,8
       2.4.3. Lucros Retidos 35.672 21,5 39.022 22,6 35.746 20,2 40.988 20,6 44.626 20,4
       2.4.4. Outros 632 0,4 691 0,4 633 0,4 726 0,4 791 0,4
AMOSTRAGEM: 151 Bancos   154 Bancos   157 Bancos   156 Bancos   150 Bancos  

Índice de Basileia

Índice de Basileia
Índice de Basileia
Fonte: Banco Central.

Em dezembro de 2014, o Índice de Basileia médio dos bancos brasileiros chegou a 16,7%, ante 16,6% registrado no ano anterior. Em relação a junho de 2014, quando ficou em 15,5%, apresentou alta de 1,2 ponto percentual.

O índice busca apurar se a instituição financeira tem capital suficiente para fazer frente aos riscos incorridos nas suas operações e suportar eventuais perdas.

Segundo o relatório do Bacen, o Índice de Basileia em 2014 foi “influenciado por mudanças regulatórias que visaram adequar o arcabouço normativo à fase atual do ciclo de crédito no Brasil”. O País ficou acima do índice mínimo exigido, de 11%, e manteve sua posição de destaque no cenário internacional, que tem como recomendação média um índice de 8%.

O Banco Central destacou ainda que a solvência do sistema bancário permaneceu estável. Também nas simulações de situação de estresse, o Bacen informou que o sistema nacional se manteve robusto e eficiente, apresentando adequada capacidade de suportar efeitos de choques decorrentes de cenários adversos, e que o risco de liquidez permaneceu baixo.

Agências, postos bancários e correspondentes

Em 2014, os bancos investiram na inauguração de agências e de postos de atendimento tradicionais e eletrônicos que, na comparação com 2013, apresentaram aumentos de, respectivamente, 0,9%, 2,2% e 4,3%. Os crescimentos mais expressivos aconteceram nas regiões Norte e Nordeste, qualificando o relacionamento entre as instituições bancárias e seus clientes.

No total, em 2014, estavam à disposição 23.126 agências, 14.698 postos tradicionais e 40.521 postos eletrônicos. Já o número de correspondentes não bancários, que registrava expansão nos últimos anos, principalmente na comparação entre 2012 e 2011, apresentou decréscimo em 2014 em relação ao número registrado em 2013.

Fonte: Banco Central.
Período 2011 2012 2013 2014 Variação 2013/2014 (%)
Número de agências 21.278 22.218 22.918 23.126 0,9
Postos tradicionais 12.957 14.322 14.385 14.698 2,2
Postos eletrônicos 37.316 37.665 38.859 40.521 4,3
Correspondentes não bancários 160.943 354.927 375.315 346.502 -7,7
Total de dependências 232.494 429.132 451.477 424.847 -5,9

Tecnologia

Há 23 anos, a Federação publica a Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária. O estudo, lançado anualmente durante o Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras (CIAB), que neste ano aconteceu em março, envolveu em sua edição 95% do setor bancário em relação ao número total de agências, representando também mais de 90% do total de ativos do setor – totalizando 20 instituições financeiras, a maior representatividade da história da pesquisa.

O levantamento foi complementado com dados de outras associações e órgãos governamentais, inclusive internacionais, para incorporar questões importantes de forma que amplie e aprofunde a análise dos dados.

Entre os principais resultados da pesquisa está o crescimento contínuo no uso de mobile banking em 2014, que é o quarto canal atualmente em volume de transações, com 12% do total. A internet é o mais acessado, com 41% do total das transações, seguido das ATMs, com 21%, e das agências, com 13%. Juntos, os canais eletrônicos via internet e mobile banking somaram 52%, confirmando a tendência das operações no ambiente virtual.

Transações bancárias por origem (em bilhões de transações)
Índice de Basileia

Outro dado mostra que, apesar de as agências ainda concentrarem o maior volume de operações com movimentação financeira, os canais on-line (internet banking e mobile) estão ampliando sua atuação para essas operações e já chegam a 51%. Consideradas as operações sem movimentação financeira, a porcentagem chega a 74%.

Com a penetração cada vez maior dos telefones celulares multifuncionais em todas as classes sociais, o uso das funções mobile para transações tende a ganhar cada vez mais espaço e relevância nas operações financeiras.

Comportamento dos usuários
(% da soma do volume de transações por grupo de canais)
Comportamento dos usuários
Fonte: Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2015; Análises Strategy&.

Transações com movimentação financeira via internet e mobile banking

Internet banking (PF + PJ) Crescimento 2013/2014 (%)
   
Transferência/DOC/TED 8
Pagamento de contas 11
Contratação de crédito 20


  • Pesquisa de saldo via internet banking atingiu quase cinco bilhões de transações em 2014.
  • Foram realizadas mais de 1,5 bilhão de transações de transferências, TEDs, DOCs e pagamento de contas no canal.
  • Contratação de crédito, ainda que com grande potencial de crescimento, registrou mais de 40 milhões de transações via internet banking.
Mobile banking (PF + PJ) Crescimento 2013/2014 (%)
   
Transferência/DOC/TED 180
Pagamento de contas 180
Contratação de crédito 190


  • Foram realizadas mais de 1,5 bilhão de pesquisas de saldo via mobile banking em 2014.
  • Transferências, TEDs, DOCs e pagamentos de contas atingiram a marca de mais de 260 milhões de transações no canal.
  • Contratação de crédito apresentou crescimento de mais de 180%, passando os 10 milhões de transações no mobile banking.

Fonte: Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2015, Análises Strategy&.

Em relação às ATMs, um dado mostra a preocupação com a diversidade e acessibilidade. O nível de ATMs adaptados para Pessoas com Deficiências (PCD) aumentou para 94% do total do parque instalado. Além desse aumento no número absoluto, atualmente 100% dos postos de atendimento oferecem pelo menos um ATM adaptado para pessoas com deficiência.

Também o uso da biometria como ferramenta de segurança nos acessos aos equipamentos ganhou maior adesão dos bancos. Em 2014, atingiu-se uma marca significativa de ATMs equipados com biometria, passando de 47% (2013) para 60% (2014) – crescimento de mais de 20% da oferta desse serviço. Com essas e outras melhorias em sistemas e processos, os investimentos em tecnologia continuam expressivos e crescentes, com alta anual em torno de 11%. Em 2014, os bancos investiram R$ 21,5 bilhões em tecnologia, ante R$ 20,8 bilhões em 2013. Desse valor, os custos com software são responsáveis por 42% do total de despesas e investimentos.

Despesas e Investimentos em Tecnologia por Bancos no Brasil
(em R$ bilhões)
Despesas e Investimentos em Tecnologia por Bancos no Brasil
Nota: “Outros“ incluem despesas e investimentos, incluindo novas tecnologias que não são classificadas hardware, software ou telecom pelos bancos.
Fonte: Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2015, Análise Strategy&.