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Destaques Institucionais

A FEBRABAN consolida processos internos de gestão, o que resulta em evolução no atendimento de seus objetivos estratégicos

O ano de 2014 foi marcado pela consolidação dos processos internos de gestão da FEBRABAN, que contribuíram para que a entidade continuasse a avançar no atendimento de seus objetivos estratégicos, com importantes resultados para os interesses e as demandas do setor. Entre as diversas frentes de atividades da Federação, os principais destaques do período estão descritos a seguir.

Planos econômicos

Uma das agendas acompanhadas permanentemente pela FEBRABAN diz respeito às decisões sobre os planos econômicos das décadas de 1980 e 1990, que são objeto de processos já julgados em várias instâncias judiciais e aguardam decisão no Supremo Tribunal Federal (STF).

O assunto é tratado por um grupo de trabalho composto pelos diretores jurídicos das seis instituições financeiras mais afetadas pelo assunto.

São cerca de 1 milhão de processos movidos contra os bancos, nos quais se pleiteia o pagamento de supostas diferenças por perdas inflacionárias no rendimento de poupança devido aos planos econômicos Cruzado (1986), Bresser (1987), Verão (1989), Collor I (1990) e Collor 2 (1991). A posição da FEBRABAN e do setor é que não houve perdas com a correção dos índices de poupança aplicados nessas ocasiões ou ganhos por parte das instituições financeiras, já que foram aplicadas as mesmas regras de correção nas cadernetas de poupança e nas operações de financiamento imobiliário.

Em julho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) recalculou para R$ 21,87 bilhões o resultado auferido pelos bancos com a suposta aplicação dos recursos da faixa livre dos depósitos da caderneta de poupança durante o período de julho de 1987 a setembro de 2008. O valor do parecer anterior era de R$ 441 bilhões.

Em 2014, o STF avaliou duas teses, que são correlatas e dizem respeito ou afetam as ações dos planos econômicos. A primeira tese definiu as seguintes questões: (i) não basta permissão estatutária genérica para a associação promover a defesa de direitos de seus filiados em juízo, sendo indispensável que a autorização seja dada por ato individual ou em assembleia geral; e (ii) na execução de sentença favorável não se pode incluir pessoas que não foram inicialmente apontadas como beneficiárias na inicial da ação de conhecimento e que não autorizaram a associação a representá-las judicialmente.

O STF ainda admitiu a ação que tem como objeto a constitucionalidade do Artigo 38 da Lei do Plano Real e ratificou a liminar para suspender os processos que tratam do tema (ADPF/77).

Já no Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi fixado em cinco anos o prazo prescricional para ajuizamento da Ação Civil Pública, contados a partir da edição de cada Plano. Com essa decisão, reduz-se substancialmente o número de ações civis públicas relativas aos planos econômicos.

A FEBRABAN vem atuando em 11 teses correlatas ao mérito dos planos no STJ e no STF.

Basileia III

GRI 1.2

Os Acordos de Basileia, ou Basileia III, são um mecanismo internacional de regulação e fortalecimento do sistema financeiro mundial. Criado pelo Fórum de Estabilidade Financeira (Financial Stability Board – FSB) e o G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, funciona como uma estrutura de controle e acompanhamento do sistema financeiro global após a crise financeira de 2008 e 2009.

O objetivo de Basileia III é garantir que os bancos e as demais instituições do sistema financeiro avancem na consolidação de modelos capazes de absorver choques que coloquem as economias em risco. Entre os pontos acordados estão a avaliação de riscos operacionais e de crédito e o fortalecimento das regulamentações mundiais sobre capital e liquidez, garantindo um setor bancário mais resiliente.

Cada país deve adotar suas medidas de aplicação. No Brasil, a regulação do Banco Central para a Basileia III foi publicada em 1º de outubro de 2013 e acompanha o cronograma internacional de conclusão previsto para até 1º de janeiro de 2022.

O sistema financeiro brasileiro é considerado um dos mais sólidos e estáveis do mundo. Na aplicação das 15 exigências do arcabouço regulatório de capital do acordo, o País já atende completamente 11, e uma delas não se aplica à realidade nacional. Essa atuação garantiu ao Brasil a nota máxima do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) para a aderência das regras brasileiras de capital às determinações internacionais de Basileia III.

A FEBRABAN acompanha o desempenho dos bancos associados na introdução das normas e atua no desenvolvimento de ferramentas e padrões que permitam otimizar recursos financeiros, operacionais e humanos do sistema bancário nacional.

Em 2014, o Banco Central do Brasil endereçou os requisitos de liquidez, de alavancagem e alguns aspectos do tratamento das instituições sistemicamente importantes. As regras finais dos indicadores de Liquidez de Curto Prazo (LCR) e de razão de alavancagem já foram publicadas durante o primeiro trimestre de 2015 e passarão a vigorar para os bancos brasileiros em outubro do referido ano.

O novo indicador de liquidez (LCR) busca garantir que os bancos possuam, no mínimo, ativos líquidos de alta qualidade em montante superior às saídas de caixa estimadas em um horizonte de 30 dias em cenário de estresse. Esse requisito deverá ser mandatório inicialmente apenas para os bancos que possuam ativos totais superiores a R$ 100 bilhões.

Já o indicador de alavancagem será mandatório para todas as instituições e busca assegurar que os bancos possuam nível de capital de maior qualidade (Nível 1), no mínimo superior a 3% da sua exposição total, medida pelo montante total de ativos nominais e mais parte das exposições dos ativos fora do balanço.

Ainda em 2014, as instituições financeiras passaram a utilizar o Balancete Patrimonial Analítico – Conglomerado Prudencial como base de apuração do Patrimônio de Referência (PR), passando a refletir de forma mais completa as posições econômica, financeira e patrimonial dos grupos financeiros e os riscos decorrentes.

Os bancos brasileiros terão condições de se enquadrar aos requisitos, no tempo e na forma, sem ajustes bruscos e maiores impactos para a economia. Isso porque possuem elevada quantidade de títulos públicos federais em seus ativos e as maiores reservas de depósitos compulsórios do mundo, o que garante alto índice de liquidez. Em termos de alavancagem, eles também mantêm situação sólida, tendo elevado nível de capitalização e menor índice de endividamento, com relação crédito/PIB de 58,9% (dezembro de 2014) na comparação com as economias mais desenvolvidas que estavam no centro da crise financeira internacional.

FATCA

Em 2010, os Estados Unidos da América (EUA) editaram o Foreign Account Tax Compliance Act (FATCA), lei para identificar os contribuintes norte-americanos (U.S. person) com operações financeiras fora daquele país. As instituições financeiras que funcionam no Brasil e que adotaram procedimentos de aplicação do FATCA tiveram de adotar mudanças nas suas atividades, entre elas as relativas às áreas de Compliance, treinamento, produtos, tecnologia e cadastros. As primeiras mudanças práticas foram feitas nas fichas de abertura de contas pessoa física, visando identificar U.S. persons em contas abertas a partir de 1º de julho de 2014. Os mesmos procedimentos, de identificação de U.S. persons com participação em PJs, passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2015.

A FEBRABAN, por meio de um grupo multidisciplinar composto por representantes das comissões Tributária, Jurídica, Compliance, Serviços Bancários e Operações Internacionais, atuou com os bancos, o Banco Central e órgãos governamentais do Brasil e dos EUA para melhor compreender a norma e tratar sobre a mais adequada forma de sua implementação, em observância à legislação brasileira. Desse grupo participam também representantes da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI) e Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).

Em setembro de 2014, foi assinado o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América para Melhoria da Observância Tributária Internacional e Implementação do FATCA, que dispõe sobre o tema e regulamenta conceitos, procedimentos a serem adotados pelas instituições financeiras brasileiras, a forma e os prazos para a troca de informações fiscais de U.S. persons e brasileiros com contas nos EUA entre a Receita Federal do Brasil e o órgão correlato nos EUA, o Internal Revenue Service (IRS). Esse acordo foi aprovado pelo Congresso Nacional em 25 de junho de 2015.

Várias frentes de trabalho foram desenvolvidas pela Federação, desde a análise dos aspectos jurídicos, operacionais e tecnológicos de implementação do FATCA até a realização de cursos específicos pelo Instituto FEBRABAN de Educação (INFI). Esse trabalho buscou otimizar o uso dos recursos humanos e financeiros dos bancos e das demais instituições financeiras abrangidas pelo FATCA.

Autorregulação

GRI EC9

Em 2014, o Sistema de Autorregulação Bancária (SARB) concretizou importantes iniciativas, como o lançamento do Normativo de Criação e Implementação da Política de Responsabilidade Socioambiental – SARB nº 14/2014.

Outros três normativos, todos relacionados ao relacionamento com clientes e crédito responsável, foram criados no ano (veja mais no capítulo Responsabilidade Socioambiental, a partir do capítulo Responsabilidade Socioambiental).

Foram concluídas ainda as etapas do selo de adesão para identificar os bancos que participam do SARB. O manual de aplicação foi finalizado, e o modelo de concessão do selo, elaborado.

Fonte: FEBRABAN.
Período Boletos inseridos Sacados ativos
     
2013 247.484.649 9.261.809
2014 264.424.146 10.616.224
Variação (%) 6,8 14,6

DDA

O Débito Direto Autorizado (DDA) foi um sistema criado no âmbito da FEBRABAN com os bancos associados para permitir aos clientes acessar de forma eletrônica suas contas a pagar, sem que precisem recebê-las fisicamente.

Com esse sistema, os clientes podem saldar os boletos automaticamente. Para isso, os boletos gerados devem ter a cobrança em registro, e o cliente precisa autorizar sua instituição financeira a usar o DDA dos boletos emitidos em seu nome.

Implantado em 2008, o DDA já está estabilizado. Em 2014, houve um acréscimo de 14% no número de pessoas que o utilizam e de 6% no número de boletos incluídos no sistema, que totalizou 264,4 milhões.

Segurança bancária

GRI 1.2

A segurança bancária é foco de atenção especial da FEBRABAN e da sociedade em geral. O Brasil possui cerca de 5,5 mil municípios, com especificidades e necessidades diferentes de integração de esforços entre as atividades bancárias e a segurança pública envolvida nessa questão. Ambas as partes têm buscado propor soluções que sejam relevantes e possam ser replicadas.

Anualmente, são investidos cerca de R$ 9 bilhões em segurança bancária. Esse montante é referente a equipamentos, como câmeras e portas giratórias, e à contratação de pessoal de segurança, que soma em torno de 68 mil vigilantes bancários.

No ano, ocorreram 385 assaltos às agências bancárias. Foram 450 em 2013, o que representa queda de 14%. Diversos investimentos foram realizados, como melhoria dos circuitos de monitoramento, fechaduras eletrônicas, sensores remotos, centrais de monitoramento e comunicação mais eficientes, levando à redução significativa na quantidade de crimes nessa área.

Um projeto piloto de segurança bancária teve início em 2013 em Pernambuco e mostra de que maneira a integração entre os diferentes setores da sociedade é capaz de identificar soluções práticas e efetivas. Em novembro de 2014 foi criado um grupo de trabalho do qual participam a FEBRABAN, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) e o Sindicato dos Bancários de Pernambuco, que é responsável pelo acompanhamento do projeto piloto.

Implantado nas cidades de Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, o projeto garante a instalação de portas de segurança com detectores de metais, câmeras internas e externas, biombos entre a bateria de caixas e as filas, guarda-volumes, vigilantes com coletes à prova de balas e armados de acordo com a Lei nº 7.102/83 e cofre com dispositivo de retardo. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco, o projeto foi um sucesso e demonstrou que as medidas adotadas pelos bancos foram efetivas para a realidade do estado.

Outra iniciativa de destaque é a Conheça seu Comandante, realizada inicialmente em Recife e que está sendo replicada em outros estados e municípios. A proposta é promover a aproximação entre os gerentes das agências bancárias, os funcionários e o comandante da Polícia Militar da região. A cooperação vai muito além do policiamento regular das agências e se configura em um modelo de transferência de conhecimento, em que os policiais passam para os gestores e funcionários noções sobre movimentos de risco, maneiras de identificar atitudes suspeitas e a adoção, por parte dos clientes, de comportamentos seguros. Além de Recife, a iniciativa foi implantada nos Estados de São Paulo, da Bahia, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.

Ainda em 2014 a FEBRABAN atuou com maior proximidade com os comandos da Polícia Militar e da Polícia Civil dos estados, promovendo a troca de informações e experiência nas análises estatísticas de explosão de terminais de autoatendimento.

Fraudes

GRI 1.2

O combate a fraudes é uma pauta permanente da FEBRABAN e do setor financeiro nacional. O número de casos evoluiu em 2014, com quase 200 mil registros, que envolvem cerca de R$ 90 milhões.

A Federação tem atuado como catalisadora do setor, integrando diversas frentes para identificar, implantar e acompanhar as soluções de mitigação da questão. Os desafios são muitos e vão desde os aspectos tecnológicos, com programas e sistemas de segurança cada vez mais sofisticados, passando pela melhoria dos controles de combate a fraudes, até a promoção de uma cultura de ética e responsabilidade no ambiente interno das instituições.

Para fortalecer o produto boleto bancário, entregando soluções robustas e confiáveis aos seus clientes, a FEBRABAN iniciou diversas ações, como a Nova Plataforma de Cobrança.

A Nova Plataforma de Cobrança é uma das iniciativas desenvolvidas em parceria com o Poder Público e representantes do setor financeiro que reduzirá consideravelmente os riscos de fraudes por meio de boletos. Entre a novidades estão a obrigatoriedade de que todos os boletos de pagamento contenham o CPF ou CNPJ, o endereço e nome do beneficiário e que aqueles com valor igual ou maior que o Valor de Referência (VR) de R$ 250 mil sejam liquidados por meio do Sistema de Transferência de Reservas do Bacen (STR), diretamente entre as instituições recebedora e beneficiária.

Como referência aos ataques sofridos no ano de 2014 sobre o produto cobrança, os seguintes números foram identificados como fraudes em boletos:

  • Perdas registradas com fraudes em boletos: 174.419 casos, R$ 10.739.800,00
  • Valores perdidos referentes a boletos fraudados em canais eletrônicos: 11.771 casos, R$ 32.605.004,00
  • Valores estornados/recuperados referentes a boletos fraudados em canais eletrônicos: 13.535 casos, R$ 43.724.716,00

Sob essa ótica, a FEBRABAN recomenda aos bancos que adotem as seguintes medidas preventivas para a mitigação da questão:

43,7
milhões de reais Valor recuperado de boletos fraudados em canais eletrônicos

1. Na abertura de conta-corrente PJ e na contratação da cobrança, adotar rigorosamente a Política de Conheça o Seu Cliente, conforme normas do Bacen, incluindo, se possível, visita ao endereço informado pelo cliente como sede da empresa.

2. Evitar a concessão de cobrança sem registro para contas novas, reativadas ou com alteração societária, pois essa situação foi identificada como sendo o principal foco de fraudes nessa modalidade. Caso não haja possibilidade de não concessão, deverá se estabelecer o prazo D+2 como o mínimo para repasse financeiro.

3. Avaliar com atenção especial a contratação do produto Cobrança em Contas-Correntes que são de titularidade de PF, pois essa situação também tem sido utilizada para gerar desvios de recursos.

4. Nos processos de emissão de 2ª via do boleto de pagamento, passar a utilizar a geração em PDF imagem, uma vez que essa opção mitiga a possibilidade de ações de adulteração.

5. Ampliar a utilização de sistemas auditores na monitoração e análise da carteira de cobrança (liquidação e volume financeiro), de modo que identifique eventuais desvios de comportamento que podem estar relacionados com ações de desvio de recursos.

6. Bancos que operam com a cobrança on-line deverão adotar critérios rígidos de contratação e em relação ao volume de boletos que pode ser gerado de início.

7. Permitir a previsão de saques para valores acima de R$ 5 mil somente quando houver a disponibilidade de saldo disponível em conta-corrente.

É preciso também, além de soluções inovadoras e que possam ser adotadas pelo setor, manter um contínuo processo de comunicação com os clientes, para que evitem comportamentos de risco e ajudem na identificação de fraudes.

Registrato

Em novembro de 2014, o Bacen publicou a Circular nº 3.728, instituindo oficialmente o Extrato do Registro de Informações no Banco Central do Brasil (Sistema Registrato), que permite ao cidadão ter acesso, pela internet, às informações sobre suas operações de crédito e a outros relacionamentos com o sistema financeiro.

O Sistema de Informações de Crédito do Banco Central (SCR) é o banco de dados do Bacen que contém as informações de todos os empréstimos e financiamentos acima de R$ 1.000,00 concedidos pelas instituições financeiras. O Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS) é o banco de dados do Bacen em que constam informações de relacionamento dos cidadãos com as instituições financeiras, representados por bens, direitos e valores, como depósitos à vista, em poupança ou a prazo, entre outros produtos.

Com o Registrato, as pessoas podem solicitar e receber esses dados eletronicamente. Para isso, foi preciso desenvolver uma plataforma capaz de integrar todos os sistemas de tecnologia dos bancos e criar mecanismos de segurança eficazes e que garantam a legitimidade da solicitação e do acesso.

A FEBRABAN colaborou em diversas frentes com os públicos envolvidos no projeto, com destaque para o intenso trabalho de tecnologia que envolveu toda a homologação, os testes e a entrada do sistema no ar.

Proagro

Criado pela Lei nº 5.969/1973 e regido pela Lei Agrícola nº 8.171/1991, o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) visa atender aos pequenos e médios produtores. Funciona como uma garantia da exoneração de obrigações financeiras relativas a operação de crédito rural de custeio, nos casos em que a liquidação não seja possível devido a ocorrência de fenômenos naturais, pragas e doenças que atinjam rebanhos e plantações, na forma estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em junho de 2013, o CMN, por meio da Resolução nº 4.235, determinou que o produtor que contratar crédito de custeio agrícola financiado com recursos controlados do crédito rural deverá, obrigatoriamente, procurar enquadramento no Proagro ou em outra modalidade de seguro rural.

A FEBRABAN atuou fortemente no desenvolvimento de um sistema, em parceria com o Instituto Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável do Agronegócio (IBDAgro) que permitisse a todos os bancos operar o Proagro ou qualquer outra modalidade de seguro rural a partir de 1º de julho de 2014, data determinada pelo CMN.

Por meio do Sistema de Gerenciamento de Informações Proagro e Seguros (SGIPS), é permitido o acompanhamento, via geotecnologia, das operações de crédito por safra. Com ele, os bancos podem monitorar as áreas 24 horas, sete dias por semana, reduzindo os riscos na concessão de crédito, com informações ainda mais seguras, e também monitorar outros riscos, como os impactos de mudanças no clima.

Custo de observância

Outra iniciativa foi a realização de diagnóstico sobre o custo de observância do sistema financeiro. Esse foi o primeiro levantamento preciso sobre quanto o sistema financeiro gasta para fornecer informações, ou seja, qual o custo dos bancos para gerir informação a um órgão regulador, fiscalizador e arrecadador. Em 2013, foram gastos cerca de R$ 2,3 bilhões nessa gestão de informação. Uma parte significativa desses custos deve-se a demandas dos municípios. Com base nesses resultados, a FEBRABAN e os bancos associados estão desenvolvendo um modelo para centralização das demandas. Assim, os documentos solicitados pelos órgãos públicos serão disponibilizados por uma única central de dados, reduzindo os custos dessa operação e garantindo a agilidade necessária para o envio dos documentos.

SIMBA

Criado em 2010 pela Procuradoria-Geral da República, o Sistema de Investigação de Movimentações Bancárias (SIMBA) visa à padronização da forma de solicitação/resposta de quebras de sigilo bancário e respectivos rastreamentos. O SIMBA foi concebido inicialmente para auxiliar os membros do Ministério Público Federal (MPF) na organização e no processamento eletrônico de registros e informações financeiras de pessoas físicas e jurídicas envolvidas, buscando sobretudo identificar e combater o crime organizado.

Com a normativa, ficou definida uma nova sistemática eletrônica que permite a padronização das ordens judiciais em matéria de sigilo bancário, além de reduzir o espaço de tempo entre a solicitação feita pelo magistrado e o recebimento das informações financeiras dos investigados. Os dados chegam pela internet, conferindo maior agilidade à tramitação do processo no Poder Judiciário.

A FEBRABAN tem colaborado integralmente com o poder público e organiza com os bancos e as instituições associadas um mecanismo seguro e eficiente para esse procedimento, garantindo a agilidade e segurança necessárias. A partir de 2014, parte dos esforços foi para a construção de mecanismo de webservice, ou seja, canal de comunicação que integre todo o Poder Judiciário com a rede bancária em uma única plataforma. Com isso, não será mais necessário o ofício físico do pedido de quebra de sigilo ou o envio de outras informações dos clientes. Todo o processo – da solicitação à entrega efetiva dos dados – será feito eletronicamente. A média anual de solicitações desse escopo chega a 7,5 milhões. Com a plataforma, além da redução de tempo, haverá expressiva diminuição dos custos envolvidos, tanto dos bancos como do poder público. Todas as etapas foram definidas e os processos mapeados em 2014. Para 2015, a FEBRABAN deverá atuar na implementação do sistema.

Compensação por imagem

Desde 2009, o sistema financeiro utiliza a compensação de cheques por imagem, sem que haja necessidade da troca física. O sistema já está consolidado e o que tem sido observado é um decréscimo no uso de cheques, cuja compensação somava mais de 1 bilhão em 2009 e totalizou 755,8 milhões em 2014. Isso se deve ao aumento no uso de outros modais de pagamento, como os cartões de débito e crédito. A tendência é que o uso dos cheques continue a cair, porém, com o processo de bancarização crescente e a entrada de novos clientes no sistema financeiro, ainda deverá representar um meio importante de pagamento nos próximos anos.

Digitalização de documentos bancários

Em 2013, o governo federal promulgou a Lei nº 12.865, que, entre outras normativas, estabelece que nas operações e transações realizadas no Sistema Financeiro Nacional, inclusive por meio de instrumentos regulados por lei específica, o documento digitalizado terá o mesmo valor legal que o documento que lhe deu origem, respeitadas as normas do Conselho Monetário Nacional.

Assim, contratos e demais documentos poderão ser digitalizados com o mesmo valor legal do documento original.

A FEBRABAN tem atuado fortemente com os bancos associados na padronização e construção de plataformas para garantir que as instituições financeiras possam atender de maneiras segura e uniformizada ao normativo.

Certificação dos correspondentes

Em dezembro de 2013 entrou em vigor a Resolução nº 4.294, que altera a legislação que dispõe sobre a contratação de correspondente bancário em todo o País. Entre as principais modificações na legislação desses profissionais está o estabelecimento de regras gerais para pagamento de remuneração da seguinte forma: na contratação da operação, pagamento à vista relativo aos esforços desempenhados na captação do cliente e, ao longo da operação, relativo a outros serviços prestados após a originação.

São cerca de 300 mil correspondentes bancários que prestam serviço ao sistema financeiro e às comunidades, facilitando o acesso a produtos e soluções em ambientes fora das agências bancárias, como farmácias, mercados e concessionárias de veículos.

Outro aspecto importante no que diz respeito ao correspondente é o exame de certificação exigido no artigo 12 da Resolução no 3.954/2011, para atestar a aptidão dos profissionais que atuam em correspondentes e que prestam atendimento em operações de crédito e arrendamento mercantil, bem como outros serviços para o acompanhamento dessas operações. A certificação passou a ser obrigatória desde o dia 24 de fevereiro de 2014.

A FEBRABAN é a principal entidade certificadora: somou 80 mil agentes certificados em 2013 e 2014 e estima chegar a 100 mil em 2015.

Fonte: FEBRABAN.
CERTIFICAÇÃO FEBRABAN 2013 2014
On-line 35.872 19.693
Presencial 9.469 15.154
Total 45.341 34.847

Eventos

Anualmente, a FEBRABAN realiza uma série de eventos direcionados aos públicos estratégicos que compõem a cadeia de relacionamentos do setor. Em 2014, foram 42, que reuniram 6.740 participantes.

Um dos destaques foi a 24ª edição do Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras (CIAB), maior evento de Tecnologia da Informação (TI) da América Latina para bancos e instituições financeiras, que registrou mais de 15 mil visitantes e expositores. Na ocasião, foram comemorados os dez anos do Espaço Inovação, uma iniciativa da FEBRABAN em parceria com o Instituto de Tecnologia de Software (ITS) que tem como objetivo incentivar startups e aproximar as instituições financeiras das soluções das startups nacionais.

Em 2015, para celebrar a 25ª edição do CIAB, serão incorporados os segmentos de meios de pagamentos e seguros. Também haverá trilhas que abordarão temas específicos para os bancos internacionais, de investimentos, financeiras e mercado de capitais. O CIAB contará com sete auditórios (eram três em 2014), em que serão apresentados até 90 painéis. A nova edição terá ainda a colaboração de sete novos parceiros estratégicos: Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI), Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (ACREFI), Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) e Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg).

Em 2014, 42 eventos promovidos pela FEBRABAN reuniram 6.740 participantes

Já o 4º Congresso Internacional de Gestão de Riscos contou com 440 participantes, nacionais e estrangeiros, entre autoridades e representantes do setor. No evento, além das novas regras de Basileia III, foram tratadas diversas questões globais, como as revisões dos modelos padronizados de risco de crédito, operacional e de mercado. São temas que estão atualmente em processo de audiência pública em âmbito internacional no Comitê de Basileia e, futuramente, trarão mudanças relevantes ao arcabouço regulatório brasileiro.

Outros assuntos abordados no congresso foram shadow banking – sistema de intermediação de crédito que envolve atividades e entidades fora do sistema bancário tradicional –, gestão do risco estratégico, risco de conduta e desafios para a gestão dos riscos socioambientais, que também vem ganhando importância nos debates nacionais e internacionais.

Principais eventos em 2014

  • 10º Fórum de Segurança e Saúde no Trabalho
  • 11º Congresso de Direito Bancário
  • 4º Congresso de Combate e Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo
  • Seminário Sistema Financeiro Nacional (SFN) e a Economia Verde
  • 4º Congresso Internacional de Gestão de Riscos
  • 14º Congresso de Auditoria Interna e Compliance
  • 24º CIAB

Prevenção à lavagem de dinheiro

A FEBRABAN é uma das 60 entidades dos setores público, privado e sociedade civil que integram a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (Enccla). Criada em 2003 pelo Ministério da Justiça, ela tem como objetivo contribuir para o combate sistemático à lavagem de dinheiro no País. GRI SO5

Em 2013, a Federação lançou, pelo sistema de Autorregulação, um normativo de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo, segundo o qual os bancos signatários que circularem recursos de origem ilegal serão responsabilizados.

No 4º Congresso de Combate e Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo, realizado em agosto de 2014, a FEBRABAN lançou, em parceria com o Conselho de Controles de Atividades Financeiras (COAF), duas publicações: Legislação Brasileira – Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo e Casos & Casos – II Coletânea de Casos Brasileiros de Lavagem de Dinheiro. Os livros abordam os aspectos legais e apresentam os novos tipos da prática de lavagem de dinheiro, contribuindo para a detecção e prevenção desse crime.

Outra ação para ampliar o entendimento e enfrentamento da questão foi o curso de Capacitação e Treinamento no Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro, realizado com a Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça (SNJ/MJ), ocorrido em agosto.